Sala Inocência
Esta sala aborda temas de conteúdo sensível — violência, deslocamento forçado e perdas humanas. Recomenda-se discrição para público infantil.
10 Pinturas tinta acrílica sobre papelões, medidas 120 x 100 cm
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias naturais de sua história. Enchentes devastadoras varreram cidades inteiras, deixando rastros de destruição, famílias desabrigadas e um sofrimento coletivo que uniu a todos em solidariedade e luta pela reconstrução. As águas, que em tempos de calmaria simbolizavam vida, tornaram-se um agente de perda e dor, carregando consigo casas, sonhos e memórias.
No entanto, em meio ao caos e à destruição, uma cena contrastante chamava atenção. As crianças, com a inocência que lhes é própria, transformavam a tragédia em brincadeira. Elas corriam descalças pelas ruas alagadas, faziam de pequenos objetos barcos e aviões improvisados, carregavam seus animais, iam para a escola em barcos, mergulhavam nas suas imaginações . O som de suas risadas cortava o silêncio pesado das cidades enlutadas, como um lembrete de que, mesmo em momentos sombrios, a pureza da infância encontra formas de resistir e de ver tudo com bons olhos.
Enquanto os adultos olhavam as águas com temor e tristeza, as crianças viam nelas um mundo de possibilidades. Essa inocência, embora comovente, também carregava um simbolismo profundo: a força da resiliência humana e a capacidade de encontrar esperança e alegria, mesmo nos cenários mais desafiadores e difíceis.